Posted by: Marcela Bonazzi | August 28, 2008

‘I shared my nachos…’

 

Confiança sempre foi um assunto muito delicado para mim porque eu levo isso muito a sério. Se um dia você ouvir de mim que eu confio em você, pode acreditar que é verdade. Para mim, certos valores são essenciais, e a confiança com certeza é um deles. Eu explico por quê. (ou pelo menos vou tentar)

 

A confiança (e sim, vou repetir muito essa palavra ao longo do texto) é uma coisa que, uma vez perdida, é dificílima de ser recuperada, e isso desde sempre. Quando você é criança sua mãe sempre tenta te enganar. Diz que se você se comportar ganha alguma coisa, o que dificilmente acontece. Ou diz que não vai sair e, assim que você se distrai, ela aproveita para fugir. Isso vai minando a confiança da criança, até o dia em que ela se toca de que quase tudo é farsa, e pára de acreditar em tudo o que sua querida mamãe diz.

 

Conforme vamos crescendo as coisas vão mudando, nossos pais já não mentem mais para nós, mas ainda sim desconfiamos de algumas coisas. Até que, um dia, chega a hora de entrar no maravilhoso mundo das amizades. Quando você vira pré-adolescente percebe a formação das famosas ‘panelinhas’, e logo se insere na que faz mais seu tipo. E sempre tem aquela pessoa especial, que vira sua melhor amiga. Pode ser que vocês sejam amigas para sempre, que ela seja sua madrinha de casamento, e madrinha dos seus filhos. Pode ser que com 90 anos vocês morem no mesmo asilo e relembrem das histórias que já passaram juntas.

 

Infelizmente, isso é raro. Acho que foram poucas às vezes que eu realmente pude presenciar algo assim. Na maioria das vezes acontece alguma coisa, vocês brigam ou se desentendem, e isso abala muito sua confiança no outro, pode reparar. Vocês, eventualmente, podem até voltar a ser amigas, mas sempre vai existir aquele ‘pé atrás’ por causa dos acontecimentos passados. Isso é inevitável.

 

Pode parecer que é baixa auto-estima minha esse papo todo, mas não é. Eu digo tudo isso por experiência própria. Minha mãe já esqueceu de me buscar na escola quando eu era pequena, depois de eu contar toda orgulhosa para os meus amigos que, naquele dia, eu não ia embora de perua escolar por que minha mãe vinha me buscar. Já tive grandes amigas, quase irmãs, que, depois de diversas confusões, viraram objetos de ódio para mim.

 

Lógico, agora eu estou crescida. Já não estou mais brava com a minha mãe por ter me esquecido, e nem guardo mais rancor das intrigas com minhas amigas de quando era adolescente, tudo isso é passado. Mas estou marcada para sempre com esses fatos. Quando minha mãe combina de me buscar em algum lugar eu mando uma mensagem para que ela não esqueça, mesmo sabendo que ela não vai esquecer. Já converso normalmente com as pessoas que briguei na adolescência, mas nunca que o nosso relacionamento vai ser o mesmo que era antes.

 

Onde quero chegar com essa ladainha toda? Hoje eu tenho alguns amigos nos quais confio muito. Poderia andar de olhos fechados com eles me guiando. Alguns acham isso estúpido, eu acho essencial. Quando você aprende a confiar nos outros, aprende a confiar em si mesmo. E, se você confia em si mesmo, age com mais segurança de seus atos.

 

Pode ser que eu tenha minha confiança nos outros partida ao meio, de novo. Pode ser que eu finalmente tenha achado meus companheiros de asilo, pode ser que eu morra sozinha e triste, mas o que eu nunca vou deixar de fazer é confiar naqueles que meu instinto me diz que posso (e devo!). Ele já errou antes, pode errar de novo. Isso não me importa mais. Eu preciso ter pessoas nas quais possa confiar e, enquanto minha fé nesta pessoa estiver inabalada, ela pode me guiar, eu vou de olhos fechados e coração aberto, torcendo para que, desta vez, eu tenha finalmente acertado.


Responses

  1. falou tudo e mais um pouco! confiança é papo sério, tem que ser levado a sério. Mas nós não podemos deixar que os problemas que tivemos com ela no passado afetem o nosso presente e futuro. erros, nós vamos cometer sempre. Mas ainda bem que podemos nos levantar e tentar novamente, sem deixar que as decepções nos deixem eternamente no fundo do poço.

    e para os momentos difíceis…quando a confiança nos outros falha… existem sempre aquelas poucas pessoas que vão fazer questão de ficar ao seu lado, provando que existe mesmo amizade verdadeira!
    amo, sis!

  2. Ê laiá, que esse povo hoje deu pra escrever bem demais! Você e Maki tão arrasando nos posts! aahhahaha São tão siamesas que até nisso estão juntas…

    Acho que eu já tinha comentado com vc em algum lugar(aqui, no orkut, ao vivo, sei lá) do quanto eu gosto da sua espontaneidade… E tudo isso que vc falou aqui em cima está diretamente ligado a essa grande qualidade: a de, apesar de todos os puns que a vida solta na nossa cara, vc continuar a abrir o coração para novas pessoas sme levar em conta os traumas do passado…

    Porque cada relação é única, cada amizade, cada namorado, cada parentesco, pois pressupõe o envolvimento de pessoas sempre diferentes… A gente não pode só levar em conta quem a gente é e esquecer que aquela nova amiga não vai te magoar como a outra, que aquele novo amor não vai te decepcionar como o outro, as pessoas são diferentes e por isso, por mais que as vezes a gente sinta medinho, a gente tem que deixar que elas entrem na nossa vida e a gente tem que se jogar de cabeça nessa nova chance. Eles não devem ter uma chance negada só porque outros, antes deles, não souberam aproveitar a oportunidade.

    É essa espontaneidade, essa capacidade de não ficar adulto demais pra desacreditar no mundo é que faz de vc essa pessoa com tanto brilho, com um sorriso tão valioso, porque se vc sorri, é sempre sincero porque você não mente pra vc mesma, nem pra quem vc ama…

    Você sabe que eu te admiro um tantão e que amo outro tantão enoooorme,né?

    Beijocas
    Uni

  3. Mah,difícil é não confiar em alguém assim,o que seria da vida se andassemos sempre desconfiadas por ai.Ei sai daqui eu não acredito em vc rsrsrsrs
    é a gente aprende desde criancinha que confiança é papo sério,e não é com qualquer um que vc pode realmente andar de olhos fechados nem mesmo os laços sanguíneos são pressupostos a isso.
    Ai já me prolonguei demais viu
    Amo amo!


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