Posted by: Marcela Bonazzi | December 4, 2009

História eu só sei a minha

História só sei a minha

Nunca fui um gênio na área das humanas. Na verdade, me surpreendi quando escolhi fazer jornalismo. No colégio eu até ia bem em português, mas meu forte mesmo era química e biologia (e educação física, que não conta de verdade). Tanto gostava que passei grande parte da minha vida afirmando que ia fazer faculdade de medicina.

Mas, quando comecei a namorar e pensar mais no que eu queria da vida percebi que medicina não era para mim, não estava pronta para desistir de alguns dos meus sonhos por essa paixão. E foi assim, depois de um teste de aptidão, que caí nesse curso, que hoje eu amo.

Só que, como eu bem disse, nunca fui muito bem em humanas, e faculdade de jornalismo é humandas injetada na veia. Consigo me virar bem nas matérias teóricas, meu único grande problema são as matérias que envolvem história.

Já tive História da Imprensa, Historia do Brasil e a mais recente é História Contemporânea. Se me perguntar o que aprendi em cada uma eu vou rir, juro. O que me salvou o bastante para eu passar de semestre foram sempre os trabalhos, por que nas provas em si eu era uma negação.

E o padrão segue o mesmo esse semestre, com Contemporânea. Só que dessa vez alguma coisa em mim mudou. A prova que a professora passou era digna de colegial, com perguntas sobre a Revolução Russa e o Muro de Berlim.

Enquanto eu fazia a prova fui percebendo quão pouco eu sabia sobre aquilo tudo. Via as pessoas do meu lado escrevendo tudo o que aprenderam em seus anos de colegial/cursinho, e eu nada. Passei uma hora encarando a frase ‘O Muro de Berlim foi construido para…‘, sem saber como terminar o parágrafo.

Fiquei furiosa comigo mesma, consegui fazer só duas das quatro questões e acabei tirando quatro na prova, quando o resto da sala tirou notas como oito ou nove. Acho que o grande problema não é a nota em si, mas a raiva que eu sinto de mim mesma por simplesmente não saber.

Pode me chamar de besta, falar que estou exagerando, e provavelmente estou, mas como pode uma pessoa não saber nada sobre o Muro de Berlim? Não saber explicar as motivações por trás das grandes guerras do mundo? Como pode?

Olha, de uma coisa eu sei. Trabalho no ramo jornalístico (Estrelando!) há pouco mais de um ano, e eu vou para a rua mesmo, dou a cara a tapa, e nunca, nunquinha mesmo, eu precisei de conhecimentos históricos para fazer meu trabalho.

Eles são importantes? Claro, formaram as pessoas que somos hoje. Vai ser o que vai fazer a diferença na minha vida? Não.

Ainda não sei qual é a do Muro de Berlim (confesso que dei um Google em casa, no dia da prova, mas eu esqueço tudo rápido, e esse é meu problema), e não sei explicar grandes acontecimentos históricos. Mas me joga em uma coletiva internacional, ou até no meio do São Paulo Fashion Week, que eu vou me virar muito bem, obrigada.

E sim, isso foi só para eu poder me convencer que tudo bem não saber essas coisas.


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