Posted by: Marcela Bonazzi | April 26, 2010

Porque eu te amo

Curti muito todos os meus primos, mas nenhum como o Lucas e a Julia. Quando eles nasceram eu era grandinha, tinha uns quinze anos. O Lucas nasceu antes, me lembro muito bem. Curti a gravidez como se fosse meu irmão ali dentro, de vez em quando eu ainda esqueço que não é (pelo menos não de verdade, de sangue).

Quando ele nasceu eu estava em Poços de Caldas, a quilômetros de distância. Lembro de chorar, dar chilique – precisava voltar para São Paulo a qualquer custo! Poxa vida, o Lucas nasceu! Consegui, voltei. Conheci ele, babei, passei uma semana acampada na casa da minha tia. Briguei com a Carol para tirar ele do berço, fui embora depois de sete dias chorando, quase arrastada:

– Sua tia precisa de sossego!

Família

É, mas e eu que preciso do meu irmãozinho? Tudo bem, a gente supera. Se vê todo final de semana, vou lá sempre que posso. Nossa, ele tá crescendo rápido! Segura, abraça, beija diz tchau e volta pra casa de novo. Sempre a pior parte do dia.

Quando o Lucas já estava grandinho meus tios foram viajar, deixaram ele e a Carol na minha avó. Fiquei lá também, “eu quero ajudar, vó!”. Dar mamadeira, colocar o Lucas e a Carol para dormir, olhar para os meus dois irmãozinhos e finalmente dormir.

Anos e anos depois, muitas viagens, festas, sleepovers e brincadeiras os dois estão grandes, quase nem ligam mais para mim. A gente cresce, muda, deixa certas coisas pra lá, mas se ama como sempre, isso não muda.

Com a Julia foi diferente. Não me apaixonei na gravidez da minha tia, nem no nascimento dela. Foi depois. Não que mude alguma coisa.

Brinquei pouco com ela quando era neném, mas as poucas vezes já foram o bastante para me deixar radiante. Meus tios foram viajar, primos na casa da avó, eu na casa da avó. Ficamos uma semana, eu e minha avó cuidnado do Rafa e da Julia. Foi nessa semana que eu me apaixonei.

Todos os dias era eu que colocava ela pra dormir, ficava com a Julia até ter certeza que o sono estava profundo o bastante para ela não acordar quando eu deitasse no sofá-cama do lado dela. Um dia ela acordou de noite, assustada. Saudade dos pais sabe? O que ela não sabe é que eu já sabia que ela ia chorar, estava acordada só esperando acontecer.

Não me pergunte como, eu só sabia. Quando vi que o biquinho começou a formar puxei ela pro meu colo e abracei forte, deixei ela chorar a saudade, faz bem. Rafa nem se mexeu, continuava num sono profundo que só vendo. Eventualmente nós duas dormimos, meio abraçadas. No meio da madrugada acordei, coloquei ela deitava de novo e fui dormir.

A partir daquele dia ela chorava copiosamente cada vez que eu saía para ir para a escola de manhã. Eu e minha avó montávamos uma super operação para enganá-la. Era de cortar o coração quando ela percebia e não queria me deixar ir. Mas quando eu voltava dava de cara com o maior sorriso do mundo. Nada mais me deixava irritada. A tarde era minha parte preferida do dia.

Desde então ela abre o maior sorriso do mundo quando me vê, e abraça forte. Só sai do meu lado quando eu vou embora, ou se tem alguém da idade dela para brincar. Afinal, eu sou bem mais velha, crianças são mais divertidas.

Esse ano teve festa no aniversário dela, da Hannah Montana. Prometi para o Kadu que tiraria fotos para meu tio, meu padrinho. Não imagino o que me deixaria mais feliz. Ela me puxa pela mão, apresenta  as amiguinhas – todas parte de uma banda, muito bem ensaiada, por sinal.

Fim da festa, 170 fotos e dois vídeos depois estou comendo bolo. Ela chega perto

– Quer bolo Ju?

Ela só acena que sim. Eu sento no carrossel e começo a dar o petit gateou que eu mal tinha comido para ela. Cada colherada ela me olha, meio pensativa. Perto do fim, entendo a cara de dúvida dela:

– Por quê você tá me dando seu bolo?

Confesso que fui pega de surpresa. Sempre que estou com ela divido tudo o que estiver comendo, tudo para vê-la sorrir. Mas nunca ela tinha achado estranho.

– Porque eu te amo.

Ela fica satisfeita com a resposta, termina o doce e sai correndo – ainda dá tempo de brincar mais antes de a festa acabar de vez. Fico com um prato vazio em mãos e um pensamento na cabeça: para eles eu não nego nada.

É porque eu amo tanto…

Amor

Sinceridade


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