Posted by: Marcela Bonazzi | September 4, 2010

Dia de palestrante

Quarta série

O começo de tudo

Tenho pavor de falar em público. De verdade. Eu costumo tremer descontroladamente, gaguejar sem parar, ficar suada, perder a linha de pensamento… é horrível. Apresentar trabalhos sempre foi um parto para mim.

Sabendo desse meu jeito tímido, minha mãe me colocou para fazer teatro quando estava na quinta ou sexta série. Ao longo de um ano eu participei de uma peça – que apresentei para a escola toda – e acabei perdendo um pouquinho de nada da minha vergonha de falar com outras pessoas. Mas é claro que grande parte disso ainda mora em mim.

O que o teatro realmente me ensinou foi a enfrentar o medo e dar a cara a tapa. O pior que pode acontecer é tudo dar errado, não é? Então, sempre que tenho uma chance, eu me coloco para falar em público. Explico apresentações de Power Point na faculdade, viro repórter para fazer matéria de telejornalismo, faço pergunta em coletivas internacionais… e até mesmo dou palestra!

Quem diria que, um dia, eu estaria na frente de pessoas que nunca vi na vida falando sobre mim e o que faço e elas estariam interessadas? E tudo isso para pais e seus filhos estudantes que estão prestes a entrar no ensino médio – todos alunos da Escola Nossa Senhora das Graças (escolinha para os íntimos), onde estudei desde a quarta série até a minha formatura.

A ideia era bem simples: falar de seu tempo no colégio, expliquar a escolha de sua profissão, falar sobre seu curso, seu trabalho. Mostre como você cresceu e hoje em dia está se saindo muito bem. Falar sobre você mesmo, não deve ter coisa mais fácil no mundo. Essa regra serve para todos, menos para mim.

Tímida como sei que sou, sabia que travaria. Fiz uma ficha com os tópicos que eu queria falar. Estudei ela por mais vezes do que gostaria de confessar. No final, ela acabou nem sendo usada.

Me arrumei, coloquei uma roupa que me fizesse parecer mais digna, caprichei na maquiagem (vulgo deixei a Pri me maquiar!), fiz escova no cabelo… sim, eu estava nervosa. E como! Mas, ao mesmo tempo, estava contando os segundos.

Chegando no colégio não conseguia andar dez passos sem reconhecer alguém e parar para dar oi. Conta como vai a vida, família vai bem, tem que casar logo, hein? Logo eu entendo o motivo de eu realmente estar lá: eu amo esse colégio. Aquele lugar, em um passado nem tão distante assim, foi minha casa, e ainda me traz uma sensação boa de conforto e segurança.

Qual não foi minha surpresa quando, na hora de falar,vi que não estava tão nervosa assim. Tremi um pouco, mas sorria, falei com calma, não errei, tropecei ou gaguejei. As maravilhas que a segurança de um lar não faz por você, não? Ver na plateia o rosto de pessoas que me conhecem a anos, me viram crescer e amadurecer. Pessoas que eu amo de verdade. Isso sim me ajudou a ficar calma.

E, no meu dia de palestrante, o que eu descobri foi que não importa qual técnica você use para não ficar nervosa. O que realmente vai te ajudar é se sentir seguro, se sentir em casa.

O fim - mas só dessa fase


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