Posted by: Marcela Bonazzi | January 31, 2011

Borboletas

Sabe, eu nunca confiei muito em borboletas. Como as pessoas conseguem confiar em um bicho que num dia é uma lagarta e no outro, só porque passou um tempinho muito bem embrulhado, vira uma borboleta linda? Eu durmo enrolada que nem uma múmia e acordo pior do que fui dormir, mas até aí essa não é nenhuma mudança memorável.

Já passei muito tempo pensando nisso no ônibus enquanto estava indo para a faculdade. O assunto ressurgiu a pouco tempo com o Lu e a família dele.  Como você confia em alguma coisa que muda de forma tão drástica e de uma hora pra outra? Mas aí percebi uma coisa engraçada: nós também mudamos – talvez tanto quanto uma borboleta, mas mudamos.

Eu não sou mais a pessoa que era no ginásio, ou no colegial e muito menos no cursinho. Não sou nem a pessoa que eu era no primeiro ano da faculdade. Todas essas pessoas que um dia eu fui já não existem mais. Elas ficaram no passado e na memória, dando espaço para alguém novo. Uma mulher diferente, ainda tão menina mas já tão crescida.

Ainda tenho aversão à sandálias, salto alto, deixar as pernas de fora e o cabelo solto. Ainda gosto das mesmas músicas, gosto dos mesmos programas de televisão e admiro os mesmo atores. Claro que de vez em quando eu saio de vestido. Ou uso o cabelo solto. Se está calor porque não ficar com as penas de fora?

Talvez todos nós tenhamos um quê de borboleta, afinal. Mas não espere me ver em um casulo tão cedo! Quero mudar devagar, no  meu próprio ritmo, obrigada.


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